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sábado, 12 de fevereiro de 2011

CARNAVAL E ESPIRITISMO



Para se entender o carnaval e outras festas populares, é necessário lembrar que a Terra ocupa o segundo lugar na escala evolutiva enquanto um planeta de provas e expiações. Aqui, e em mundos semelhantes, encarnam espíritos recém saídos da barbárie, dando os primeiros passos na sua história evolutiva e esses espíritos trazem consigo um grupo de sensações ou pulsões que precisam ser extravasadas para que não se voltem contra a sociedade em que encarnaram. Não foi à toa que Freudnos defendeu a tese de que a cultura nasce da repressão. Em verdade, estamos encarnados para reprimirmos as más tendências e adquirir elementos espirituais positivos como o amor, a solidariedade, o respeito ao próximo e às diferenças, em uma palavra, desenvolver as faculdades positivas do espírito.

A festa é o momento em que o espírito tem a oportunidade de pôr para fora, não necessariamente o que ele tem de pior, mas as suas emoções mais profundas. Como somos espíritos altamente imperfeitos, as nossas festas quase sempre explicitam emoções do tipo primário. Nos tempos da Grécia antiga, as bacanais, festas dedicadas ao deus Dioniso ou Baco tornaram-se tão perigosas para o equilíbrio da polis (cidade) que teve de ser transformada em teatro como uma forma de "domesticação" do conteúdo nocivo da alma humana. A Festa do deus Líber em Roma; a Festa dos Asnos que acontecia na igreja de Ruan no dia de Natal e na cidade de Beauvais no dia 14 de janeiro, entre outras inúmeras festas populares em todo o mundo e em todos tempos, têm esta mesma função.

O carnaval é uma dessas festas que costuma ser chamada de folia, que vem do francês folle, que significa loucura ou extravagância sem que tenha existido perda da razão. No caso do carnaval a palavra significa desvio, anormalidade, fantasia descontração ou mesmo alegria. Assim, a festa carnavalesca é o momento em que o espírito humano pode projetar o que há de mais profundo e de mais primitivo em si mesmo. O poetaVinicius de Morais deixou isto muito claro ao dizer: "Tristeza não tem fim, felicidade sim / A felicidade parece a grande ilusão do carnaval / a gente trabalha um ano inteiro / por um momento de sonho/ pra fazer a fantasia de rei ou de pirara ou jardineira / Pra tudo se acabar na quarta-feira"...

Qual a posição do espírita ante o carnaval? Sem querer ditar normas, apenas dando a minha opinião, o espírita, em primeiro lugar, deve compreender o carnaval; não ser muito severo, não ter medo dele por acreditá-lo uma expressão do mal e do diabólico da alma humana; não fugir dele por medo de sua sedução. Não deve, como fazem algumas religiões, criar blocos ou escolas-de-samba para brincar um carnaval cristão. Pode ser um observador comedido, se gosta da festa, ir ao sambódromo ou às ruas para ver os foliões e, se não gosta, pode aproveitar o feriadão para descansar, meditar ou estudar Espiritismo sozinho ou em conjunto; em resumo seguir o conselho de Paulo"Viver no Mundo sem ser do mundo."



Por José Carlos Leal – Retirado do site “Correio Espírita

sábado, 7 de agosto de 2010

Clube do Leitor Espírita

A Associação Espírita Nosso Lar no mês de junho iniciou um trabalho em que reunimos leitores espíritas para discussão de temas abordados em algumas obras e sua relação com a codificação. O Clube do Leitor é aberto as todos o que gostam da leitura espírita. Tivemos no início a orientação e colaboração da Coordenadora da Secretaria de Educação do Município para a implantação do trabalho.

NOSSAS REUNIÕES SÃO MENSAIS.
Leitura de poema espirita por Elbinha

Coordenadora Liduína da Sec. de Educ.

D. Lídia expondo o livro Colônia Capela

PARTICIPE CONOSCO DESTAS DISCUSSÕES!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

QUEM SÃO OS VERDADEIROS ESPÍRITAS?

EM COMEMORAÇÃO AOS 153 ANOS DE PUBLICAÇÃO DO LIVRO DOS ESPIRITOS, BASE DE TODA A DOUTRINA, RESOLVEMOS COLOCAR UM TEXTO JA DE NOSSO CONHECIMENTO SOBRE O VERDADEIRO ESPÍRITA.

Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações.
(Allan Kardec, ESE., XVII, 4)
Ponderando com Allan Kardec, torna-se simples definir quem é verdadeiro Espírita, afinal os podemos reconhecer pelos esforços que fazem em transformar- se em pessoas moralmente melhores e em domar suas más inclinações, geradas pelas imperfeições milenares que todos carregamos na alma imortal.

No entanto, embora o desejássemos, a temática é mais complexa do que podemos pensar inicialmente. Observando com um pouco de atenção, podemos facilmente reconhecer muitos “espíritas” ainda adormecidos perante suas responsabilidades, adquiridas através dos esclarecimentos que a Codificação oferta a 153 anos.
Vemos pessoas que se intitulam “espíritas” apenas porque são ávidas leitoras de Zíbia Gasparetto, apreciam o seriado “Médium”, assistiram a novela “A Viagem”, ou acreditam que viveram como Faraós ou Rainhas no Egito. Aliás, quando se designam de “espíritas” pode-se até respirar feliz, pois há quem se auto-intitule de kardecista, como se o Espírita seguisse a pessoa Kardec e não a obra dos Espíritos que ele codificou.
Há quem se diga “espírita” sem jamais ter lido O Livro dos Espíritos (LE) e O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE) – a Codificação toda, então, nem se comenta! -, e sem nunca ter se comprometido com o Evangelho no Lar, porque “esquece”, “algo dá errado” ou parece que está “falando sozinho”.
Há quem se afirme “espírita” mas ainda faz o “sinal da cruz”, diz “amém” ao final de suas preces, repete orações decoradas, chama Maria de virgem, bate cartão no cemitério em dia de Finados, batiza seus filhos em outra religião, por apego ao rito ou medo dele ser considerado “pagão”, e casa-se na igreja com a justificativa de que Deus está em todo lugar – e Ele está, mas é ilógico caminhar por duas estradas ao mesmo tempo, especialmente quando se contradizem no trajeto.
Há quem se diga “espírita” porque vai ao Centro Espírita buscar o passe e a água fluidificada, e de boa vontade, ouve a palestra esclarecedora sobre valores morais imprescindíveis à transformação íntima. E na saída compra ou empresta um romance, retornando ao lar certo de que fez tudo o que podia. Mas continua sendo assistido em vez de servidor.
Há “espíritas” que fazem de Bezerra de Menezes um Espírito santo, em vez de reconhecê-lo um incansável trabalhador do Bem que todos podemos imitar; que garantem que Chico Xavier foi Kardec; que fazem tietagem a Divaldo Pereira Franco; que pensam que André Luiz é Espírito superior e não vai mais encarnar na Terra; que lêem admirados obras de autores que dizem que Espírito engravida; que se preocupam em saber se seus filhos são índigo ou cristal; que conseguem justificar sua ânsia por um bom filé mal passado através de O Livro dos Espíritos.
Há alguns pobres “espíritas” que se deixam levar pela vaidade, achando que são privilegiados por serem médiuns ou expositores, dirigentes de trabalhos ou de Centros Espíritas; que não saem do Centro sem uma psicografia do seu mentor, que usam o Evangelho Segundo o Espiritismo como bíblia, e para o qual a assinatura de nome nobre em uma obra é garantia de verdade e por isso não precisa ser questionada.
O verdadeiro Espírita realmente o é, repetindo ainda uma vez a Kardec, reconhecido por sua transformação moral e pelos esforços em domar as más inclinações que ainda carrega. Mas também o é porque estuda a Codificação inteira e, além dela, busca completar seu conhecimento estudando outras obras sérias, discutindo, comparando, usando a razão, nada aceitando sem refletir a respeito.
O verdadeiro Espírita não deseja continuar a utilizar os apoios milenares que hoje chamamos (por sua função) de “muletas”, e que por séculos sustentaram- nos a fé cega, frágil e inconstante, muitas vezes manifestada apenas porque foi gerada pelo medo, não pela compreensão da Vida e amor ao Criador.
O verdadeiro Espírita não faz do passe uma necessidade, nem da água fluidificada uma vitamina diária. Não faz cara de ingênuo enquanto coloca o mesmo nome nos pedidos de vibrações de vários Centros, pensando que várias equipes de Espírito irão ajudar, em vez de uma só. E ele não é feito de açúcar, se está comprometido com o trabalho, não teme a chuva e o frio, cumprindo sempre com sua parte.
O verdadeiro Espírita não julga todas as dores como atestado de culpabilidade, porque sabe que além de expiações, também vivemos em provas. E ele sabe que é preciso confiar que não existem acasos, e sempre será o que deve ser, mas que neste contexto temos que agir com precaução, responsabilidade, resignação e coragem.
O verdadeiro Espírita não diz que não lê Ramatís porque alguém que também não leu lhe disse que ele é um Espírito pseudo-sábio, mas se concordar com essa ideia foi porque tirou suas próprias conclusões, da mesma forma que o faz com outros autores encarnados ou não. E não esquece da objetiva mensagem de Paulo de Tarso, em I Tessalonicenses 5:21, que diz “Examinai tudo. Retende o que é bom”.
O verdadeiro Espírita não se considera dono da verdade, e por isso não tenta convencer ninguém a lhe aceitar as opiniões (aliás, não precisam aceitar as minhas!), não se melindra porque seus alvitres não são aceitos, não se exclui de um grupo porque não foi atendido em sugestão que ofertou para a resolução de um problema ou organização de um evento. Ele trabalha em grupo, democraticamente, cioso de fazer o melhor pelo Espiritismo, pelos Assistidos, pelos Espíritos, pela Causa Social, e não pelo seu Ego.
O verdadeiro Espírita não faz de conta que já vive de bônus-hora, reconhece que permanece encarnado, cumpre com as responsabilidades para com “César” (coisas do mundo) sem deixar de lado as coisas de Deus (espirituais) . Ele vota, se candidata, contribui financeiramente com o sustento da Casa a que se vinculou, sem fingir que despesas se pagam com preces.
O verdadeiro Espírita lerá este texto até o final e reconhecerá que algumas realidades podem ter sido ditas; verificará se lhe servem, ponderando nos motivos que ainda o prendem a rituais de outras religiões, satisfação egoística, fanatismo e cegueira. E se admitir que realmente está se desviando do sentimento original do Espiritismo, ele procurará domar estas inclinações, estimuladas pelo mundo competitivo em que vivemos, bem como por falanges de espíritos inferiores que há muito desistiram de nos afastar da preciosa Doutrina de Luz, e focam atenção em perverter seus nobres ideais.
Este é o ESPÍRITA que fará diferença no mundo sob este título. Aqueles que se dizem “espíritas” mas ainda caminham paralelamente ao Espiritismo, também são excelentes cristãos, pessoas boníssimas, fazem toda a diferença, mas não são Espíritas, são simpatizantes da Doutrina dos Espíritos.
Vania Mugnato de Vasconcelos Bahia

COMO RECONHECER UM ESPÍRITA ?

COMO RECONHECER UM ESPÍRITA ?
•Por SILNEY DE SOUZA

Embora um dos seus pilares seja a moral Cristã, o espiritismo não é uma religião formal. Ele tem outros dois pilares também muito importantes representados pela Ciência e pela Filosofia.

O Espiritismo não possui grupos ou organizações que o representem em sua totalidade. Não é uma Congregação.

Não tem liturgia; nem rituais. Tampouco sacerdotes.

Não realiza cultos; não faz "trabalhos" visando benefícios materiais ou proporcionar qualquer tipo de vantagem aos seus frequentadores e também não possui terreiros ou igrejas.

Não cobra por trabalhos e não exige nenhuma contribuição material ou financeira de seus adeptos.

Não é preciso ser médium para ser espírita, nem tampouco ser espírita para ser médium.

Recorrendo a Kardec: "Seria fazer uma idéia bem falsa do Espiritismo acreditar que a sua força decorre da prática das manifestações materiais. Sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom senso.

Na antiguidade ele era objeto de estudos misteriosos. Hoje, não tem segredos para ninguém: fala uma linguagem clara, sem ambigüidades; nada há nele de místico, nada de alegorias suscetíveis de falsas interpretações. Ele quer ser compreendido por todos porque chegaram os tempos de se fazer que os homens conheçam a verdade. Não reclama uma crença cega, mas quer que se saiba por que se crê, e como se apóia na razão será sempre mais forte do que as doutrinas que se apóiam sobre o nada."

Os espíritas também não estão inscritos em nenhum registro oficial.

Como participar do movimento espírita ?

Primeiramente é importante esclarecer que não é necessário participar do movimento espírita para ser espírita.

Mas se você realmente tem interesse em se aprofundar no estudo desta maravilhosa doutrina ai vão algumas dicas (não exaustivas):

1) Adquira (ou baixe gratuitamente da internet) os livros da codificação.

2) Mais do que simplesmente ler esses livros, reserve um local, dia e horário e efetivamente estude o seu conteúdo.

3) Adquira o hábito de em suas orações (normalmente aquelas que realizamos antes de dormir), abrir aleatoriamente uma página do Evangelho Segundo o Espiritismo e ler uma de suas lições. Você vai se surpreender com o que vai ler!

4) Participe de grupos de discussão na internet, leia artigos e envie cartas e "e-mails" solicitando o esclarecimento de suas dúvidas.

5) Identifique pessoas de seu contato que também se interessam pelo assunto e crie um grupo de estudos;

6) Se julgar adequado e entender que deve, pesquise, peça indicações e procure uma Casa Espírita e inscreva-se para participar dos cursos oferecidos. Normalmente, as Casas Espíritas oferecem cursos desde os níveis básicos até os mais avançados. Não tema. As Casas Espíritas são, antes de tudo, educandários. O contato com uma dessas Casas vai permitir um grande avanço no seu aprendizado.

7) Peça orientações de como proceder para realizar "O Evangelho no Lar". Você vai se surpreender com os benefícios que essa prática habitual trará ao seu ambiente familiar.

Mas esteja atento!

Assim como um espírita é reconhecido pelo seu esforço em melhorar-se moralmente, uma Casa Espírita deve harmonizar-se com os conceitos das obras da Codificação.

Tenha sempre em mente que não é de bom alvitre confiar cegamente em todos e em tudo que os Espíritos dizem, nem tampouco em todo médium. Todos nós, encarnados e desencarnados nos encontramos em certo estágio do processo evolutivo e temos nossas áreas de melhoria e aprendizado.

Não há dogmas no Espiritismo. Tudo deve ter uma explicação clara e racional. Assim como Kardec, submeta tudo ao crivo da razão.

É claro que o conteúdo para estudo é bem amplo e não será totalmente compreendido e assimilado em curto espaço de tempo. Mas não desista. Se tiver dúvidas estude, pesquise, pergunte, peça esclarecimentos e somente se dê por satisfeito quando encontrar a resposta que finalmente esclarece a sua dúvida e que o satisfaz.

Persistência e vontade são essenciais em todo aprendizado.

Como então reconhecer um espírita ?

Kardec afirmou na Revista Espírita que: "O Espiritismo não reconhece por seus adeptos senão aqueles que colocam em prática os seus ensinos, quer dizer, que trabalham pela sua própria melhoria moral, porque é o sinal característico do verdadeiro espírita."

FONTE:
http://www.webartigos.com/articles/22367/1/COMO-RECONHECER-UM-ESPIRITA-/pagina1.html.

domingo, 14 de março de 2010

PÁSCOA

A páscoa é uma festa Judia, incorporada ao Cristianismo, optou-se pelo significado da ressurreição de Cristo como justificativa para a comemoração, mas, na verdade o que ocorreu foi que quando houve a "criação da igreja Católica" - que muito respeitamos pelo seu conteúdo histórico, pela condução do povo e da fé Cristã, apesar de todos seus erros e abusos - por culpa dos homens é claro, muito contribuiu para que nos tornemos o que somos hoje e abriu caminhos para a verdadeira evangelização do orbe terrestre, tarefa esta em andamento e que sofre dia após dia uma aceleração visível. A páscoa foi uma das comemorações absorvidas pelo Cristianismo nascente, visto o povo ainda necessitar de cultos e comemorações - como vemos o Natal, originado de uma festa pagã em homenagem a um deus qualquer ou à comemoração do solstício de inverno no hemisfério norte, existem muitas explicações para todas as festas ditas Cristãs, na verdade Jesus em momento algum apregoou comemoração, culto ou cerimonia, respeitou sem dúvida nenhuma as festas de seu tempo, a única comemoração que Ele quis foi a da nossa felicidade e crescimento espirito/moral.
Cabe a nós Espíritas, pesarmos à luz da razão, todas as festas ditas Cristãs, encontrarmos seu significado verdadeiro, comemorarmos como seres humanos - afinal, vivemos no mundo material e fica difícil para nós que somos pais de crianças pequenas, explicarmos porque das outras receberem chocolates/presentes e elas não, apenas retirando o caráter "sagrado" que é dado a muitas delas, explicarmos as crianças o significado histórico e se soubermos, o verdadeiro, e cuidarmos para não incutir na mente delas este teor sagrado, tão arraigados de dogmas e idéias que nos remetem ao paganismo...
Quanto a "esquivar-se" do assunto, é escolha nossa, más cabe à responsabilidade de cada um a opção por todos seus atos e as conseqüências boas ou más de cada um deles - "A quem muito foi dado muito será pedido", e " A cada um segundo suas obras".

Dante Luiz Zech - Curitiba

P.S: texto retirado do blogger, visão espirita

terça-feira, 2 de março de 2010

O CARNAVAL

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a
existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura
generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas.

É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos
felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos
seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos
sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as
sociedades que se pavoneiam com o título de civilização.

Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente
incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos,
prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso
espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas
indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais
esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos
aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das
forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não
basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de
esquecimento do dever.

Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de
necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os
salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas
por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos
deveres sociais e divinos.

Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas
consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos
necessitados de um pão e de um carinho.

Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam:

* Os leprosos,
* Os cegos,
* As crianças abandonadas,
* As mães aflitas e sofredoras.

Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se
preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme
o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a
esperança dos que choram e sofrem?

Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de
nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas
possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes
para o bem de todas as almas.

É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio
coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto
houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza,
ela só poderá fornecer com isso um eloqüente atestado de sua miséria
moral.

Emmanuel
Chico Xavier em Julho de 1939
Revista Internacional de Espiritismo.

Entrevista sobre Carnaval com Raul Teixeira






1 — O que significa para você o Carnaval, diante do mundo?
R — Valendo-me da expressão de um Benfeitor Espiritual, direi que, para mi m, o Carnaval é aquele fruto apodrecido, do qual ainda não soubemos retirar a mensagem de advertência, de atenção e vigilância, observando, ao longo do tempo, a semente infeliz que há germinado nas almas incautas, gerando colheitas de decepções e dores de elevada monta.

2 — Como você melhor colocaria o Carnaval: como um mal para o homem que preza a elevação da moral, ou um remédio para o homem asfixiado pelas lutas amargas do cotidiano. necessitado de extravasar seu psiquismo?
R — Verdadeiramente, o Carnaval, como se vem apresentando. representa um mal não apenas para o homem que busca evoluir moral e espiritualmente, como também para os demais ainda apegados às sensações físicas muito mais que às emoções sutis, que só a pouco e pouco o Espírito vai desenvolvendo.
Reconhecemos que a alegria, a descontração, as expansões dos júbilos entre as criaturas humanas funcionam como excelente válvula de escape para as tensões diárias, fomentando a tranqüilização da alma, quanto o re-equilíbrio das funções psíquicas. Contudo, não é o que estamos observando na estrutura carnavalesca. Encontramos, isso sim. a perversão, a enfermidade espiritual que jorra, absolutizando a loucura que campeia desenfreada, devassando e infelicitando. Não creio que ao homem mais simples. porém, de bom senso, isso lhe pareça extravasamento para os júbilos anelados, senão desbordamento das paixões inferiores que mais fazem amargar seu cotidiano. já, de si mesmo, tão amaro.

3. – Por ser uma festa de cunho material, somos induzidos a pensar que a maioria dos participantes não sejam religiosos. Dado que o ser humano precisa dissipar as energias acumuladas, não poderíamos, então, classificar o Carnaval como “um mal necessário”, pois, sem ele, que permite extravasar, e sem a religião, que permite equilibrar essas cargas energéticas, os homens, inevitavelmente seriam levados a atitudes agressivas ou neuróticas no dia-a-dia?
R – A mim me parece que tudo isso não passa de tenebroso sofisma. Vamos por partes, a fim de expressar-me melhor.
O Carnaval não é somente uma festa de cunho material, como se poderia supor. Ele é profundamente espiritual, só que a faixa espiritual, em que se situa, é a dos Espíritos infelizes que se locupletam com os desejos e usanças daqueles outros que, embora encarnados, ajustam-se aos apelos do Além infeliz, servindo-lhes de alimárias ou de vasos nutrientes, onde as sombras babejam e triunfam por momentos. Está claro, com isso, que os que se banqueteiam nesse festim, embora se digam religiosos, só o são na fachada. Não aprenderam que não se pode servir a Deus e a Mamon, que ser religioso é assumir um compromisso com a própria consciência. Não foram advertidos por seus líderes que tais festividades momescas tiveram seu incremento nas orgias templárias da Velha Roma. do mundo antigo, nas loucuras das homenagens aos deuses Lupércio, Saturno. Baco etc, ditas festas em que não faltavam a luxúria, os excessos de toda ordem, do prato às explorações sexuais, determinando miséria moral e material, como enorme soma de sofrimentos.
Por outro lado, meu companheiro, se me é dito que o Carnaval é o extravasador e que a Religião é equilibrante, creio que, em boa linha, nos quedaríamos com a Religião. Entretanto, a grande parte escolhe a descarga carnavalesca.
O que vemos é que, muito embora se afirme ser o Carnaval um extravasador das tensões, não encontramos diminuídas as taxas de agressividade e de neuroses, que infestam nossas cidades, as mais diversas, dando-nos, isso sim, um somatório de violência urbana, de infelicidade familiar como jamais ocorreu no mundo contemporâneo. Creio que devamos repensar a questão do Carnaval, a fim de não desculparmos o que é indesculpável, pelo menos na conotação que se lhe dá atualmente.

4. No campo físico, já conhecemos algumas das conseqüências do “reinado do Momo”, como por exemplo a proliferação dos abortos, o aumento da criminalidade, múltiplos suicídios, o incremento do uso dos tóxicos e de bebidas alcoólicas, assim como o surgimento de novos viciados, e muitas outras. O que você citaria como conseqüência no campo espiritual?
R - No hemisfério espiritual, encontramos por conseqüências todas as decorrentes dos excessos e erros e crimes apontados na sua pergunta. É mais um testemunho de que as “alegrias de Momo” não são tão alegres como parecem e que, ao invés de descontrair, muitos são traídos pela invigilância, pela irreflexão, pela imoderação.

5 - Estaria sujeito às influências negativas o indivíduo que, não se integrando aos folguedos, saísse à rua, apenas para assistir aos desfiles, ou mesmo para, simplesmente, apreciar os acontecimentos?
R - Os Espíritos do Senhor orientam-nos, através da Doutrina Espírita, que Deus vê as intenções nossas. Jesus Cristo, por seu turno, diz-nos, em Lucas 6:45, que onde estivesse o nosso tesouro, aí estaria o nosso coração, dizendo, sem dúvida, que nos deslocaríamos em espírito para aquilo a que déssemos valor. Há um provérbio popular que prega que quem sai na chuva é porque deseja molhar-se... Entendemos que, se tomamos conhecimento do que está ocorrendo nas ruas e nos clubes, se nos damos conta das nossas próprias tendências pouco recomendáveis, na condição de “homem-velho” da referência paulina, há que pensar um pouco, antes de nos expormos às ruas, ainda que seja para assistir.

6. — Como você acha que o cristão-espírita deve proceder diante do companheiro que se mostra favorável ao evento?
R — Como deve. proceder com qualquer um que não nos compartilhe os conceitos e idéias, ou seja, respeitando-o, compreendendo-o, sem. contudo, permitir que ele nos “faça a cabeça”, usando uma expressão muito em moda.

7 - Que atitude se poderá tomar para mantermos nossos filhos, ainda crianças, quando não livres da influência, pelo menos livres da fascinação que o Carnaval exerce sobre eles?
R — Entendemos que a família tem fundamental importância em tudo isso. É a velha questão tão educacional que vem à tona, Se os pais não freqüentam os festejos carnavalescos; se os pais aproveitam os dias dos feriados de tais festas para o descanso, para a convivência familiar harmoniosa e boa; se sabem conversar com os pequenos sobre a improcedência de nos arrojarmos a tais loucuras, exemplificando com a própria conduta o que diz, não vemos por que os filhos ficariam fascinados com Momo. Se mesmo diante do exemplo e dos informes e esclarecimentos eles o desejarem, deverá prevalecer o bom senso dos pais, não o permitindo, até que os pequenos de hoje conduzam as suas experiências de vida, fazendo o que bem entenderem; porém não antes de serem devidamente educados para viverem o bem que todos buscamos.
Muitos pais afirmam que soltaram seus filhos por causa das pressões de vizinhos, de familiares outros, dos colegas etc. Não se lembram, entretanto, os pais espíritas, que estamos diante dos graves compromissos com Espíritos ligados a nós, pelos vínculos reencarnatórios e que teremos que prestar contas da orientação e da condução que lhes tenhamos dado. sem que isto pese nos ombros dos demais, pelo menos a princípio. Tomemos por compromisso de honra a condução dos nossos, deixando de lado admoestações e zombarias, motejos e incompreensões, porque somente o tempo dirá do nosso acerto, com o salário da paz e da alegria.

8 — Com relação aos nossos Centros Espíritas, é válido fechar as portas nos dias do Carnaval, ou mudar o procedimento das reuniões?
R — Realmente, seria muito bom se pudéssemos continuar nossas atividades doutrinárias, em nossas Instituições , exatamente porque são os dias em que mais necessárias se fazem as preces e as vinculações com os Bons Espíritos, por múltiplas razões, bem óbvias, por sinal. Entretanto, não deveremos olvidar que grande parte dos Centros estão em locais de muito movimento carnavalesco e que, ainda que não estejam, os companheiros das tarefas deverão deslocar-se de seus lares, atravessando o tumulto e as dificuldades, se ampliam com os riscos de variada monta para os passantes. E is a razão porque, costumeiramente, se interrompem os trabalhos nos Centros Espíritas nesses dias, o que não representa que devamos deixar de orar e vigiarmos, onde e com quem estivermos, servindo como antenas de nobres inspirações e assistência necessárias, como verdadeiros cristãos que desejamos ser.

Fonte: Jornal Mundo Espírita - Fevereiro/1988